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In time for peace: a mensagem do Cardeal Koch

O Cardeal Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, por ocasião da Semana Mundo Unido 2020, enviou aos participantes uma vídeo-mensagem sua.

Nos tempos difíceis que estamos atravessando, marcados pela crise do coronavírus, muitos estão confinados nos seus apartamentos, tendo que viver em quarentena; já no nome, esta última lembra mais os quarenta dias da Quaresma do que a Páscoa. Também os nossos serviços litúrgicos, particularmente as mais importantes liturgias da Semana Santa e da Páscoa, por causa das proibições governamentais, foram celebrados nas igrejas na ausência de fiéis, a portas fechadas, e transmitidos via streaming. Esta experiência fora do ordinário me trouxe à mente, de maneira mais vívida de quanto jamais tivesse acontecido no passado, um detalhe da narração bíblica da Páscoa. O evangelista João inicia o seu relato da aparição de Cristo ressuscitado aos seus discípulos com as palavras: “À tarde desse mesmo dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos, por medo dos judeus…” (Jo 20,19). Embora o Senhor já tivesse ressuscitado e estivesse indo se encontrar com os seus discípulos, estes ainda estavam vivendo o Sábado Santo, como mostram claramente o medo e as portas fechadas.

A este lugar assediado pelo medo, todavia, Jesus vem e muda radicalmente a situação, como evidencia o Evangelho: “E os discípulos ficaram cheios de alegria por verem o Senhor” (Jo 20,20). A alegria é a expressão visível do fato de que o Sábado Santo se transformou em Páscoa. Também hoje, neste momento oprimido pela crise do coronavírus, podemos nos alegrar porque sabemos que o Senhor não nos deixa sozinhos nos nossos medos e nas nossas preocupações, mas vem também em meio a nós e nos doa a sua presença e a sua preciosa companhia. Cristo está sempre no nosso meio, sobretudo quando esperamos a sua vinda. Chiara Lubich nos repetiu esta mensagem várias vezes, sem nunca se cansar.

Quando Jesus vem ao nosso meio, também nos traz um dom. É o mesmo dom que trouxe aos discípulos na tarde da Páscoa. O Evangelho narra que Jesus esteve no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!” A paz é o primeiro dom que Jesus fez aos seus discípulos depois da sua ressurreição. A paz é o verdadeiro dom pascal. A paz é também o dom que Jesus nos oferece hoje. É aquela paz que nós, humanos, não estamos em condições de criar sozinhos, mas que podemos somente receber como dom. E, no entanto, é a paz mais importante, e todas as outras formas de paz a que aspiramos são apenas reflexos daquela paz. De fato, só a paz que vem de Cristo nos dá aquela unidade que tanto desejamos: a unidade nas nossas comunidades, na nossa Igreja, entre todos os cristãos e em toda a humanidade.

Esta paz, naturalmente, não pode permanecer fechada em si mesma. O Evangelho continua narrando que, depois da saudação de paz, Jesus diz aos discípulos: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21). Estas palavras são dirigidas também a nós. Também nós somos chamados a transmitir aos outros a paz nos doada por Cristo, de modo que também para eles, e especialmente para aqueles que vivem na preocupação e no medo, o Sábado Santo possa se transformar novamente em Páscoa. Também neste período de dura prova pelo coronavírus, o slogan de vocês é verdadeiro e necessário: “In Time For Peace”. De coração desejo a vocês todos um tempo pascal alegre e transbordante de paz. O Senhor da Paz Ressuscitado os abençoe e os proteja!

Cardeal Kurt Koch


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