Educação e Pesquisa

Educação e mudança social: três projetos em que a rua e a academia se encontram

by Edoardo Zaccagnini

Educação e mudança social: três projetos em que a rua e a academia se encontram
Canva IA

O que acontece quando a academia encontra a realidade dos bairros? Por meio de experiências realizadas na Itália, Colômbia e Países Baixos, descobrimos que a educação se torna uma ferramenta prática para superar polarizações, derrubar muros invisíveis e construir responsabilidade compartilhada.

Educação e pesquisa são dois conceitos indispensáveis para o futuro do ser humano. Por esse motivo, uma das 8 Communities de United World Project parte destas duas palavras: Educação e Pesquisa, para promover a paz, o diálogo intercultural e a responsabilidade social.

São utilizadas como ferramentas para incentivar o pensamento crítico e o aprendizado colaborativo. A comunidade Educação e Pesquisa trabalha para garantir que o conhecimento seja usado de forma responsável, a fim de que, por meio desse aumento de conhecimento, possamos enfrentar os grandes desafios do mundo.

Abaixo estão três iniciativas que exploram esses dois universos: Contraturno Escolar Romero, na Itália, mais precisamente na Toscana, na cidade de Prato; Universidade da Rua, e o projeto Explorar as polarizações, de uma Summer Academy nos Países Baixos.

Contraturno Escolar Romero

Prato é uma cidade industrial da Itália Central, um importante centro têxtil com muitos trabalhadores estrangeiros, um lugar profundamente multicultural com a presença de mais de 120 grupos étnicos, e mais de 70% dos estudantes do ensino médio são de origem migratória. Esses dados trazem desafios significativos, mas também oportunidades únicas.

Com o projeto Contraturno Escolar Romero, estudantes universitários e professores recém-aposentados estão unindo forças há oito anos para desenvolver um programa de apoio aos deveres de casa. As atividades do projeto acontecem no Centro Cívico, localizado na periferia da cidade, um local frequentado por muitas pessoas de origens diversas.

Foto Pixabay
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Os alunos que frequentam o programa extracurricular Romero são recomendados por uma escola de ensino fundamental II nomeada em homenagem a Padre Lorenzo Milani: o extraordinário sacerdote italiano que, no século passado, dedicou muita atenção à educação das crianças mais vulneráveis.

Com grande espírito de serviço, os professores do Contraturno Escolar Romero oferecem aulas personalizadas aos seus alunos, atendendo às necessidades de cerca de 60 crianças. A estrutura formada pelos professores, jovens universitários e a experiência dos professores aposentados, permite uma gestão muito equilibrada da escola, com cuidado e atenção constantes oferecidos pelas diversas gerações, que vivem um espírito comunitário fértil em unidade, respeitando as necessidades individuais e o contexto cultural de cada participante.

Universidade da Rua (Universidad de la Calle), Colômbia

É um programa que surgiu em um contexto de “democracia relacional participativa” na América Latina, desenvolvido nas últimas décadas em vista do envolvimento direto dos cidadãos, com o objetivo de melhorar a inclusão de grupos historicamente desfavorecidos ou marginalizados.

O programa, acessível a todos, baseia-se em uma antropologia relacional que tem suas raízes no paradigma da unidade de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, e na análise existencial de Viktor Frankl: neurologista, psiquiatra e filósofo austríaco, preso entre 1942 e 1945 nos campos de concentração de Dachau e Auschwitz.

O programa da Universidade da Rua (Universidad de la Calle ou Unicalle, em espanhol) oferece um modelo de formação acessível e inclusivo para pessoas de baixa renda, baseado em aprendizado colaborativo realizado em pequenos grupos, que se reúnem – de preferência presencialmente – em parques e, em geral, em espaços ao ar livre.

Foto Pixabay
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A Universidade da Rua representa uma proposta educacional única, que visa construir uma fraternidade universal. Durante as reuniões, um membro assume o papel de facilitador de comunicação e orienta as atividades de todo o grupo, promovendo um clima participativo e harmonioso em função dos relacionamentos.

A Universidade da Rua tem como foco a promoção de indivíduos e comunidades, de pessoas e grupos, por meio da construção de redes e do incentivo a novas iniciativas para toda a comunidade. Um exemplo que nos ajuda a compreender os resultados positivos alcançados pelo programa Universidade da Rua é a criação de um banco de alimentos na própria Colômbia, que surgiu a partir de uma das sessões de formação do programa.

Ao mesmo tempo, a equipe da Unicalle é responsável por oferecer apoio, orientação e acompanhamento às pessoas que coordenam e animam as reuniões da Universidade da Rua, garantindo ajuda e um espírito de crescimento compartilhado a todos. A iniciativa, que começou com dois cursos de diploma, visa expandir sua oferta educacional, continuando a nutrir e a apoiar ambientes de aprendizagem por meio do diálogo e da construção de comunidade, da busca compartilhada pela unidade e fraternidade universal.

Explorar as polarizações, na Summer Academy na Holanda

Desde 2015, um grupo de jovens adultos tem organizado a Academia de Verão #Learning4Unity: um programa internacional e transdisciplinar que, em agosto de 2025, reuniu esses jovens adultos, com professores de mais de dez países da Europa, Ásia e América do Sul, durante uma semana, em Mariënkroon, Países Baixos, mais precisamente de 10 a 17 de agosto. O objetivo? Uma jornada interdisciplinar sobre o tema “Explorar as polarizações”.

Os professores, provenientes de disciplinas diversas, com diferentes origens acadêmicas e culturais, acompanharam os jovens adultos nessa experiência de análise de um tema tão delicado, e talvez pouco explorado, como a da polarização. Interior e exterior.

Foto Pixabay
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Por meio da integração, do encontro entre disciplinas fundamentais como história, psicologia, política, economia e artes, bem como com oficinas interativas e mesas-redondas, além de outras atividades interessantes e educativas (há também dança e culinária), os participantes exploraram o quanto as polarizações – dentro de si, presentes na sociedade e entre as culturas – podem se tornar oportunidades de compreensão, e não de divisão.

A semana de agosto de 2025 na Academia de Verão nos Países Baixos, com a importante pesquisa “Vamos explorar as polarizações”, sobre as várias formas de polarização, promoveu um diálogo profundo e o aprendizado mútuo, o crescimento pessoal no contexto de uma experiência que uniu divergências pessoais, teóricas, sociais, geracionais e culturais entre as pessoas.

O evento, no qual professores e alunos aprenderam uns com os outros, trocando ideias e informações em pé de igualdade, demonstrou que a atenção para o entendimento entre disciplinas, culturas e experiências pessoais pode fortalecer tanto a colaboração acadêmica quanto os laços humanos.