Economia e Trabalho

A América Latina celebra o 35º aniversário da Economia de Comunhão

by Edoardo Zaccagnini

A América Latina celebra o 35º aniversário da Economia de Comunhão

Há 35 anos, nascia um sonho: a Economia de Comunhão. No final de maio, a Argentina será palco de uma festa extraordinária, na qual gerações diversas se reunirão para revigorar esse projeto e para escrever, juntos, o futuro de outra economia.

Economia e comunhão: duas palavras que nem sempre estão em harmonia, mas que encontram na expressão “Economia de Comunhão” (EdC) uma reconciliação e uma estrada útil para toda a humanidade. Mas o que é a Economia de Comunhão? Um sistema diferente, um modelo alternativo ao do capitalismo dominante. Uma oportunidade em que a gratuidade e a reciprocidade desempenham um papel central, funcional para um estilo de vida que substitui a acumulação desenfreada de materiais e de dinheiro, que cria riqueza, sim, mas também divisão e disparidade, individualismo e solidão.

Economia de Comunhão, uma história bonita e longa

A Economia de Comunhão nasce em 1991 em São Paulo, fruto de uma intuição carismática de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares. Hoje, 35 anos depois, a EdC atrai empreendedores e gestores, trabalhadores de todos os tipos, mas também consumidores, estudiosos e cidadãos comuns. Muitas pessoas no mundo estão comprometidas em expandir a cultura da Economia de Comunhão.

Como? Por meio de ações concretas em vista de um projeto formativo contínuo. Escolas, encontros, eventos para jovens e adultos, sem esquecer o exemplo dos polos produtivos e industriais situados nas cidadezinhas do Movimento dos Focolares; eles são espaços e ferramentas para fortalecer o desenvolvimento da EdC, que diz respeito a todas as faixas sociais e etárias.

A cultura da partilha

A própria Chiara Lubich falou sobre a “cultura da partilha”, mediante a qual empresas e trabalho estivessem a serviço do bem comum. A riqueza produzida, o lucro, o ganho têm o propósito, com a EdC, de reduzir a miséria, a pobreza e a exclusão dos mais frágeis. O desenvolvimento empresarial, o empreendedorismo e, em geral, o desenvolvimento ativo e produtivo, com a criação de empregos, é garantia de uma dupla inclusão: comunitária e produtiva.

“Estamos convictos, de fato,” – diz o site da Economia de Comunhão – “que nenhuma forma de pobreza não escolhida pode ser curada sem incluir as pessoas desfavorecidas dentro de comunidades vivas e fraternas e, onde for possível, também no ambiente de trabalho, nas empresas. Enquanto quem pode e deve trabalhar não conseguir ter essa oportunidade, permanece sempre uma pessoa indigente.”

A Festa do 35º aniversário do EdC

Há tanta beleza na Economia de Comunhão. Há busca por justiça, esperança e futuro nesse extraordinário projeto para a humanidade. Justamente em 2026, como mencionado, a EdC completa 35 anos na América Latina e, para a ocasião, de 25 a 30 de maio, será realizado um evento celebrativo excepcional, um encontro global realizado na Argentina para comemorar esse aniversário em conjunto com toda a rede da Economia de Comunhão.

Vinte iniciativas locais: Fase 1 do evento

O tema do evento será “Um caminho de regeneração – 35 anos da Economia de Comunhão”, e será dividido em duas fases: na primeira, de 25 a 27 de maio, cerca de vinte iniciativas locais da América Latina receberão pequenos grupos de participantes para uma imersão em comunidades locais ricas em identidade e tradições que, no entanto, sofrem as consequências do sistema econômico atual. Essas comunidades tentam colocar em prática a cultura da Economia de Comunhão no dia a dia e, sendo assim, essa experiência de encontro promete ser muito interessante e profunda.

Isaías Hernando, coordenador da Comissão Internacional da Economia de Comunhão, disse: “Nossa proposta é que cada pessoa se insira na vida diária dessas iniciativas locais e que, olhando para o mundo a partir desse encontro, experimente o potencial de regeneração e transformação que surge por meio da comunhão e da reciprocidade.”  Neste link,  estão as várias iniciativas/experiências das quais é possível participar.

Laboratório: Fase 2 do evento

Na segunda fase, de 29 a 30 de maio, os participantes se reunirão em Buenos Aires para um encontro de um dia e meio, com um programa dinâmico e participativo para celebrar esses primeiros 35 anos e estabelecer compromissos futuros em conjunto com a rede global da Economia de Comunhão. O programa terá o caráter de um laboratório, com a participação ativa dos presentes e uma troca intensa (e construtiva). O próprio Isaías Hernando acrescentou: “O objetivo desse dia e meio será celebrar os primeiros 35 anos da EdC, mas também nos comprometermos a implementar juntos os próximos passos, a fim de responder melhor aos desafios do sistema econômico atual e nos aproximarmos cada vez mais da realização da vocação da Economia de Comunhão.”

Como participar do evento do 35º aniversário do EdC na América Latina

Celebração e formação, presente e futura, andam de mãos dadas. O desejo é desenvolver a ideia extraordinária da Economia de Comunhão, que, como lemos em seu site, “tem entre suas ideias imprescindíveis a convicção de que sem uma cultura nova não há economia nova. A ação econômica é sempre uma expressão de um estilo de vida mais amplo, de uma visão do mundo. Por isso, desde a primeira inspiração de Chiara Lubich, uma parte dos lucros das empresas tem sido destinada à formação na ‘cultura da partilha’, principalmente por meio das estruturas de formação do Movimento dos Focolares”.

Pode suscitar interesse ler o artigo Fábrica de Massas Futuro: os jovens no reformatório cozinhando massa e tendo uma segunda chance

A página oficial do evento na Argentina já está online, com todas as informações e o formulário de inscrição. Podem participar do evento de maio, as pessoas que já fazem parte da rede global da EdC, os participantes dos projetos, os professores, estudantes, pesquisadores, empresários, empreendedores sociais, membros de organizações, movimentos e redes com propósitos semelhantes, assim como qualquer pessoa interessada na proposta.