MotoForPeace, o voluntariado em moto que percorre o mundo levando ajuda humanitária
O projeto MotoForPeace celebra 25 anos de missões de solidariedade. A sua nova missão percorrerá 12 mil quilômetros até a Mongólia e unirá Europa e Ásia. Do que se trata essa iniciativa particular de ajuda humanitária? Qual é a história dessa atividade singular sobre duas rodas?
Faz parte dela a estrada, o motor, o vento, as paisagens e principalmente os encontros, as trocas com povos e culturas, a ajuda a quem se encontra em necessidade. Há 25 anos, o projeto MotoForPeace, fundado em 2001 por Dino Lepore – que conta com a Polícia Estatal Italiana, os Carabinieri, a Guardia di Finanza e por outras forças policiais europeias –, tem viajado pelo mundo com fins humanitários.
Isso é feito por meio de expedições em motocicleta que promovem o encontro entre culturas e comunidades: “A associação” – lemos no folheto de apresentação – “visa fomentar relações que promovam o diálogo e a vida em paz e harmonia”. O MotoForPeace já cruzou diversos continentes ao longo dos anos: da América à África, da Europa à Ásia, lá onde os aguarda o último destino dessa grande aventura, a Mongólia, a ser alcançada entre maio e julho de 2026, para levar sorrisos, conforto e proximidade.
MotoForPeace na ÁSIA: a história de uma longa amizade
Os 13 motociclistas de MotoForPeace partiram há algumas semanas de Mersin, Turquia, para atravessar a Geórgia, o Uzbequistão, o Cazaquistão, a Rússia e a Mongólia, hospedando-se onde são recebidos. Chegaram a Ulanbataar, após percorrerem 12 mil km em cerca de 45 dias, com o objetivo de apoiar os projetos da ONG ASIA, atuante na Mongólia nas áreas educacional e social, com mensagens de paz e solidariedade que, desde sempre, estão no cerne de MotoForPeace.

Uma amizade consolidada flui entre as duas associações. O MotoForPeace já realizou duas missões de motocicleta em favor de projetos ASIA: a primeira em 2002, para uma clínica de medicina tradicional tibetana, em Dongche, na região de Amdo; a segunda, em 2014, com 10 motocicletas equipadas, doadas a médicos para o pronto-socorro em Kavre, Nepal, para alcançar pacientes das aldeias mais remotas.
A ASIA atua na Mongólia desde 2016, em um contexto climático cada vez mais desafiador, ao lado de comunidades nômades e rurais que habitam as estepes do país. Com a missão na Mongólia, o projeto MotoForPeace apoiará algumas escolas em Ulanbataar (3 no distrito de Songino Khairkhan e 3 no distrito de Bayanzurkh), onde a ASIA desenvolve projetos para combater a desnutrição e melhorar as condições econômicas da população.
Dino Lepore: “Ao viajar, não dá para deixar o mundo fora da porta de casa”
Para dar voz à grande aventura do MotoForPeace, conversamos com o homem que a tornou realidade: seu presidente, Dino Lepore. Dois dos motociclistas que participam há muito tempo dessas viagens extraordinárias estavam com ele: os irmãos Valter e Davide Magnifico, policiais apaixonados por motocicletas e relações humanas.
Dino explica que MotoForPeace surgiu em um momento de sua vida marcado pela insatisfação. “Foi assim que descobri que sou um viajante da solidariedade e, ao embarcar em uma jornada como essa, dá para observar o que está acontecendo no mundo e vem o desejo de oferecer a própria contribuição para quem se encontra em necessidade. A solidariedade é um ato necessário para quem tem essa possibilidade e, viajando, não dá para deixar o mundo fora da porta de casa. Com esse sentimento, envolvi alguns colegas, os Carabinieri, a Guardia di Finanza e o pessoal de outras forças policiais europeias.”

“Em nossas missões” – continua Dino – “sempre buscamos o encontro e o diálogo. Essa atitude nos permitiu envolver inúmeras pessoas e instituições. É importante expandir a nossa missão. Precisamos que se fale do MotoForPeace para continuar a tocar as almas e para fazer crescer essa iniciativa realizada com o coração.”
Dino Lepore faz questão de agradecer: “Às centenas de pessoas que se sacrificaram ao meu lado ao longo dos anos. Sozinhos, sempre repito, não vamos a lugar nenhum, e juntos passamos uma mensagem que, quanto mais forte for, mais capaz de dar frutos será”. Ele dedica palavras importantes aos missionários católicos do mundo todo: pelo “trabalho extraordinário deles, fundamental e muitas vezes subestimado”. Ele os chama de “soldados da paz” ou “anônimos da fé”, que não pedem nada em troca. Eles trabalham evitando “revoluções sociais” todos os dias, antes de tudo “dando de comer”.
Dino se lembra de tudo dos 25 anos do MotoForPeace, a começar por sua primeira viagem “ao Kosovo. De lá, estivemos em todos os lugares, exceto na Austrália e no Sudeste Asiático. Ainda estamos firmes” – ele sorri – “em uma dimensão de generosidade total e voluntariado verdadeiro que nos permite que nos expressemos 100%, usando as nossas férias e o nosso dinheiro. Estamos longe das nossas famílias, mas elas nos apoiam, como todos aqueles que sabem como trabalhamos”.
A palavra solidariedade retorna na fala do presidente do MotoForPeace: “Destinamos a essa causa parte da nossa passagem de viagem e – se tivermos sorte – as doações de alguns dos nossos apoiadores”. É uma viagem pelas diversas formas de pobreza no planeta, como nos conta Dino Lepore: “Nos países emergentes, as pessoas literalmente morrem de fome. Quando conseguimos realizar projetos nesses lugares, recebemos uma gratidão enorme e, voltando para casa, agradecemos a Deus pelas nossas condições de vida em relação a esses contextos”.
As emoções de Valter Magnifico
Valter Magnifico, um dos motociclistas do MotoForPeace, diz que conheceu essa organização itinerante por meio de colegas, mas, com duas filhas pequenas, até certo ponto, ele apenas sonhava em participar.
“Quando participei, durante a viagem à África, percebi que havia ensinado algo valioso às minhas filhas, justamente por meio dessa ausência. Eu estava com muito medo de deixá-las, mas quando voltei para casa, com as minhas histórias e o diário no qual registro tudo, percebi que a viagem teve efeitos positivos nelas: minhas filhas vivenciam comigo o apoio à distância oferecido às pessoas que conheci durante as viagens do MotoForPeace e o fato de me dedicar a ajudar pessoas necessitadas, gratuitamente, é uma lição de humanidade também para elas.”
“Viver uma experiência como essa” – continua Valter – “vai além do próprio conceito de viagem, para penetrarmos na alma das pessoas. Lembro-me do abraço de uma criança com deficiência grave, do trabalho de muitos que silenciosamente ajudam os mais vulneráveis, do trabalho dos missionários e da família de uma menina em La Paz, na Bolívia, com quem mantenho contato até hoje, tentando tornar a vida dela – e a de sua família – um pouco mais fácil.”

“Por meio do MotoForPeace” – acrescenta Valter – “vi em primeira mão os níveis extremos de pobreza no mundo, mas também o enorme desejo de paz de todas as pessoas, a necessidade compartilhada de amor, que transcende qualquer bandeira. Esse amor é retribuído e se multiplica toda vez que é oferecido.
As memórias de Davide Magnifico
“Sempre amei motocicletas” – começa Davide Magnifico – “assim como viajar e encontrar pessoas. Eu conhecia o MotoForPeace há muito tempo, até que, talvez por uma vontade superior, comecei a participar. Minha primeira viagem foi à América do Sul, e lá fiz a experiência que as distâncias são canceladas pelo MotoForPeace.”
Perguntamos a ele em que sentido? “Em Santiago do Chile, uma religiosa que eu havia conhecido algum tempo antes em Roma estava à nossa espera. Na Argentina, em Mar del Plata, um sacerdote nos convidou para visitar as religiosas de um centro para crianças com deficiência: um lugar administrado pela congregação de Don Orione, cuja casa geral fica em Roma, a poucos passos de onde cresci e onde passei tantos momentos lindos da minha adolescência e juventude, graças às instalações esportivas.”
“Na instituição de Mar del Plata” – continua Davide – “havia religiosas que cuidavam de crianças com deficiências muito graves com imenso amor. Elas usavam roupas gastas, mas perfumadas e impecavelmente limpas: eram um sinal da profunda dignidade que essas religiosas lhes garantiam, com uma caridade que permaneceu em mim como uma lição indelével. Conseguimos colocar uma criança em uma motocicleta, e me lembro das emoções muito fortes daquela tarde.”
“Além disso,” – conclui Davide – “na sede da MotoForPeace há um mapa-múndi onde estão assinalados em amarelo todos os lugares que a missão visitou. Bem, o mundo é quase todo amarelo nesse mapa, graças às viagens durante as quais apertamos muitas mãos e conhecemos muitas histórias diferentes: do missionário perdido ao embaixador, do Núncio Apostólico ao padre brasileiro que ele conheceu em Zâmbia, em uma aldeia remota que, dia após dia, se tornou seu lar. São viagens nas quais nasce um vínculo intenso e indissolúvel entre aqueles que as empreendem.”
Antes de tudo, com a mente
“Em toda viagem” – conclui Dine Lepore – “acontece pontualmente que quanto mais longe estou de casa, mais me sinto em casa: graças ao grande entusiasmo das pessoas que encontramos. Sempre digo às pessoas do grupo que essas viagens – sem dúvida exigentes e não isentas de obstáculos inesperados, às vezes difíceis – são enfrentadas principalmente com a mente. Se você estiver com a mente centrada, tudo fica mais fácil. Sentimos menos esforço e menos cansaço, o que é sempre compensado pela riqueza que acumulamos durante as nossas viagens, nas quais a paz, o diálogo e a fraternidade vêm sempre em primeiro lugar.
